Ácido folínico no tratamento do autismo: entre a esperança e a evidência científica
- Auticast

- há 2 dias
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Nos últimos anos, o uso do ácido folínico (leucovorin) tem ganhado espaço em discussões médicas e entre famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A substância, uma forma ativa da vitamina B9, vem sendo estudada como possível terapia complementar para determinados sintomas do autismo — especialmente ligados à comunicação e à linguagem.
Mas afinal: estamos diante de um avanço promissor ou de uma expectativa ainda maior que as evidências disponíveis?

🧪 Por que o ácido folínico passou a ser estudado?
Pesquisas identificaram que um subgrupo de pessoas com TEA apresenta alterações no metabolismo do folato no sistema nervoso central. Em alguns casos, há presença de anticorpos contra o receptor de folato, o que dificulta o transporte da vitamina para o cérebro.
O ácido folínico, por ser uma forma já ativa do folato, consegue atravessar essa barreira por vias alternativas. Essa característica despertou o interesse científico.
Estudos clínicos controlados sugerem melhora em comunicação verbal, interação social e comportamento adaptativo, sobretudo em crianças que apresentam esses anticorpos específicos.
No entanto, os próprios pesquisadores ressaltam: os estudos ainda envolvem amostras relativamente pequenas e os resultados não são universais.

👩⚕️ O que dizem os especialistas?
Neuropediatras e psiquiatras infantis ouvidos por nossa reportagem destacam que o ácido folínico não é cura para o autismo e não substitui terapias baseadas em evidência, como intervenções comportamentais, fonoaudiologia e terapia ocupacional.
Segundo especialistas, o uso deve ser considerado:
Após avaliação médica detalhada
Com exames laboratoriais específicos quando indicados
Dentro de um plano terapêutico individualizado
Com monitoramento contínuo
Há consenso de que a suplementação indiscriminada, sem indicação clínica, pode gerar falsas expectativas.
👨👩👧 Relatos de famílias
Entre famílias, os relatos são variados.
Alguns pais relatam avanços na comunicação após meses de uso supervisionado. Outros não observam mudanças significativas.
Uma mãe entrevistada afirma:“Para nós, ajudou na linguagem. Mas continuamos com as terapias normalmente. Não foi algo milagroso.”
Já outro responsável relata que, apesar da expectativa inicial, não houve diferença perceptível no comportamento do filho.
Esses relatos reforçam um ponto central da ciência atual: a resposta parece depender do perfil biológico de cada criança.
⚖️ Segurança e cuidados
Os estudos disponíveis indicam que o ácido folínico apresenta perfil de segurança considerado bom, com poucos efeitos adversos graves relatados. Mesmo assim, médicos alertam:
A dose deve ser definida por profissional habilitado
Pode haver interação com outros medicamentos
O acompanhamento é indispensável
A automedicação é desaconselhada.
🧠 O que a ciência conclui até agora?
O ácido folínico surge como terapia adjuvante promissora para subgrupos específicos de pessoas com TEA, especialmente aquelas com alterações no metabolismo do folato.
Mas não é tratamento universal.Não substitui intervenção multidisciplinar.E ainda precisa de estudos maiores, de longo prazo e com maior diversidade populacional.
📌 Entre esperança e responsabilidade
O debate sobre o ácido folínico revela algo maior: o desejo legítimo das famílias por avanços terapêuticos e a necessidade de prudência científica.
No campo do autismo, cada avanço deve caminhar junto com evidência sólida, ética médica e informação responsável.
Enquanto novas pesquisas avançam, especialistas reforçam que o cuidado com pessoas no espectro deve continuar baseado em acompanhamento individualizado, inclusão e suporte interdisciplinar.




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