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Setembro Amarelo: falar sobre saúde mental também é defender a inclusão de pessoas autistas

Foto do escritor: Maria Selma Silva Corrêa
Maria Selma Silva Corrêa
2 de set.
3 min de leitura

O mês de setembro é marcado pelo Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e de valorização da vida. Mais do que uma mobilização simbólica, a iniciativa representa uma oportunidade para ampliar o debate sobre saúde mental, reduzir estigmas e estimular a busca por ajuda profissional. O Ministério da Saúde destaca que o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, mas também reforça que a prevenção é possível e que reconhecer sinais de sofrimento pode ser fundamental. (Continua após a publicidade).


Quando o assunto é saúde mental, é necessário incluir também as pessoas autistas nessa conversa. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) não deve ser confundido com uma doença mental, mas pessoas autistas podem vivenciar sofrimento psíquico e apresentar condições associadas que exigem atenção especializada. Ansiedade, depressão, dificuldades de comunicação, isolamento social, sobrecarga sensorial e experiências de preconceito podem tornar a vida cotidiana particularmente desafiadora para algumas pessoas dentro do espectro. (Continua após a publicidade).


Um dos principais pontos de atenção está na falta de compreensão sobre as necessidades individuais do autista. Quando uma pessoa passa anos sendo cobrada para se comportar de acordo com padrões que não consideram suas características, pode experimentar um processo contínuo de exaustão e sofrimento. A chamada camuflagem social — esforço para esconder características autísticas e imitar comportamentos considerados socialmente adequados — também é discutida como uma experiência que pode gerar significativo desgaste emocional.


A infância e a adolescência merecem atenção especial. Bullying, exclusão escolar, dificuldade de estabelecer vínculos, preconceito e falta de adaptações podem afetar profundamente a autoestima e o sentimento de pertencimento. Por isso, falar em prevenção não significa apenas agir quando uma crise acontece: significa construir ambientes mais acolhedores, acessíveis e preparados para reconhecer diferentes formas de comunicação, interação e expressão emocional. (Continua após a publicidade).


Para as famílias, o desafio também pode ser enorme. O diagnóstico, a busca por terapias, as dificuldades de acesso aos serviços de saúde e educação e a preocupação permanente com o futuro podem produzir sobrecarga emocional. Cuidar da saúde mental de mães, pais, responsáveis e demais familiares também faz parte de uma verdadeira política de proteção à pessoa autista. Uma rede de apoio fortalecida beneficia não apenas quem cuida, mas todo o núcleo familiar.


Nesse contexto, profissionais como psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e outros integrantes de equipes multidisciplinares têm papel importante. O acompanhamento deve respeitar a singularidade de cada pessoa, considerando suas necessidades, potencialidades, formas de comunicação e contexto social. O objetivo não é transformar o autista para que ele se encaixe em um padrão, mas oferecer ferramentas para ampliar sua autonomia, participação social e qualidade de vida.


O Setembro Amarelo, portanto, precisa ultrapassar a distribuição de laços amarelos e campanhas pontuais. Prevenir também é incluir. É combater o capacitismo, garantir acesso à saúde, assegurar educação inclusiva, promover espaços de convivência e ouvir as pessoas autistas sobre aquilo que elas próprias vivenciam. O Ministério da Saúde ressalta ainda que, diante de uma situação de risco, é fundamental ouvir sem julgamentos, oferecer apoio e buscar atendimento especializado.


Falar sobre prevenção do suicídio é falar sobre vida, mas falar sobre vida também significa discutir as condições necessárias para que ela seja vivida com dignidade. Para a comunidade autista, isso passa por acolhimento, respeito, pertencimento e acesso ao cuidado em saúde mental. Neste Setembro Amarelo, a mensagem precisa ser clara: nenhuma pessoa deve enfrentar o sofrimento sozinha — e uma sociedade verdadeiramente inclusiva é aquela que não apenas reconhece a diversidade, mas cria condições para que todas as pessoas possam viver, participar e ser ouvidas.


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