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Pesquisa Nacional sobre autismo expõe gargalos no diagnóstico e no acesso a terapias

  • Foto do escritor: Auticast
    Auticast
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Lançado ontem (09.abr.2026), o Mapa Autismo Brasil (MAB) apresenta o primeiro perfil sociodemográfico nacional sobre pessoas autistas no país e reforça um diagnóstico já conhecido por muitas famílias: o acesso ao cuidado continua desigual e insuficiente.


Divulgado pelo Instituto Autismos, o levantamento reúne dados sobre diagnóstico, terapias, educação, condições de vida e perfil de cuidadores, com a proposta de apoiar políticas públicas e melhorar a organização dos serviços voltados ao transtorno do espectro do autismo (TEA).


A pesquisa teve caráter transversal e utilizou amostragem não probabilística por conveniência. A coleta foi feita por questionário on-line, voluntário e gratuito, entre 29.mar.2025 e 20.jul.2025, ao longo de 115 dias, com participação de todos os estados brasileiros. Após tratamento dos dados, foram analisadas 23.632 respostas válidas.


Desse total, 16.807 vieram de responsáveis por pessoas autistas, 4.604 de pessoas autistas maiores de 18 anos e 2.221 de participantes que se identificaram ao mesmo tempo como autistas e responsáveis. O instrumento teve 43 questões e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Brasília (UnB).


Perfil

No perfil geral da amostra, 72,1% das pessoas autistas eram crianças e adolescentes, 27,6% eram adultas e 0,3% eram idosas. Em relação ao sexo biológico, 65,3% eram do sexo masculino e 34,2% do feminino. No recorte étnico-racial, 60,8% se declararam brancos, 31,9% pardos, 5,3% pretos, 1,1% amarelos e 0,2% indígenas. Sobre necessidades de apoio (nível de suporte), 53,7% estavam no nível 1, 33,8% no nível 2 e 12,5% no nível 3, o que significa que 46,3% da amostra estava nos níveis 2 e 3, com necessidade de apoio substancial ou intensivo.



Os dados sobre diagnóstico mostram concentração importante na primeira infância, mas também revelam atraso relevante em parte dos casos. Segundo o relatório, 51,7% dos diagnósticos ocorreram entre zero e quatro anos, 17,1% entre cinco e nove anos e 6,2% entre 10 e 14 anos. Ainda assim, a idade mediana de diagnóstico foi de quatro anos, enquanto a média chegou a 11 anos, sinal de que permanece expressivo o número de diagnósticos tardios. Os primeiros sinais foram percebidos principalmente por pais e irmãos, em 56% dos casos, seguidos pela própria pessoa autista, com 11,5%, professores, com 9,4%, e médicos, com 7,3%. Na confirmação diagnóstica, predominam neurologistas ou neuropediatras, com 67,1%, seguidos por psiquiatras, com 22,9%.


Quando se observa a rede em que o diagnóstico foi confirmado, a desigualdade de acesso fica ainda mais evidente. A maior parte dos diagnósticos ocorreu na rede particular, com 55,3%, seguida pelos planos de saúde, com 23,1%, e pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com 20,4%.



O relatório também aponta que, nas regiões Norte e Nordeste, o SUS tem participação maior no diagnóstico do autismo do que os planos de saúde, diferentemente do padrão observado nas demais regiões. Ao mesmo tempo, o próprio estudo destaca que o SUS concentra maior proporção de diagnósticos na primeira infância, o que indica papel importante da rede pública na identificação precoce.


Terapias


No acesso às terapias, o cenário também é restritivo. As intervenções mais frequentes foram psicoterapia, com 52,2%, terapia ocupacional, com 39,4%, fonoaudiologia, com 38,9%, psicopedagogia, com 30,8%, e terapia ABA, com 29,8%. Ainda assim, 16,3% declararam não fazer nenhuma terapia. Na rede de atendimento, predominam os planos de saúde, com 35,3%, e a rede particular, com 28,5%, enquanto o SUS responde por 15,5% e outras instituições, como APAEs e organizações não governamentais, por 7,9%. Também chama atenção a baixa carga semanal de atendimento: 56,5% informaram realizar até duas horas de terapia por semana, e apenas 1,54% alcançavam 40 horas ou mais.


Na educação, 52,2% frequentavam a rede pública e 31,4% a rede particular, enquanto 13% não frequentavam nenhuma instituição de ensino e 3,4% não sabiam ou não lembravam. O estudo mostra ainda que 39,9% não recebiam nenhum tipo de apoio educacional. Entre os apoios mais citados aparecem educador social, monitor ou tutor, com 23,8%, acompanhamento especializado, como mediador, com 18,8%, adaptações pedagógicas, também com 18,8%, e sala de recursos, com 18,1%. Já entre as pessoas autistas adultas, consideradas em um universo de 6.606 respondentes, 30% estavam desempregadas ou sem renda, 21,2% atuavam como servidores públicos e 20% trabalhavam com carteira assinada, além de percentuais relevantes em vínculos mais flexíveis ou informais.



Cuidadores de autistas


O perfil dos cuidadores ajuda a explicar parte da sobrecarga que atravessa esse cenário. Entre os responsáveis, 95,9% eram mãe ou pai da pessoa autista, e 92,4% eram mulheres. Além disso, 55,2% tinham ensino superior completo ou pós-graduação, mas 30,5% declararam não ter renda ou estar desempregados.


Para o Instituto Autismos, o MAB não deve ser lido apenas como um retrato, mas como instrumento para orientar decisões mais embasadas. Nesse sentido, o estudo lançado hoje oferece uma base inédita para o debate público sobre autismo no Brasil e evidencia, com números nacionais, que diagnóstico, terapias, inclusão escolar e proteção social continuam fortemente condicionados por renda, território e acesso aos serviços.


Para mais informações e para acessar o relatório completo, consulte o material oficial do Mapa Autismo Brasil e do Instituto Autismos neste link.



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