Telas e Desenvolvimento Infantil: Um Alerta da Neuropsicopedagogia
- Tais Esposti Poly

- 9 de out. de 2025
- 3 min de leitura

Vivemos na era da conectividade. As telas estão por toda parte: celulares, tablets, computadores e televisores são presença constante no cotidiano das famílias, escolas e ambientes sociais. No entanto, o uso indiscriminado desses recursos tecnológicos tem gerado uma preocupação crescente entre os profissionais da educação e da saúde, especialmente no campo da neuropsicopedagogia. (Continua após a publicidade)

Neste artigo, trago uma reflexão sobre os impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento cognitivo, emocional, social e neurológico de crianças e adolescentes, com base em estudos recentes, observações clínicas e práticas pedagógicas.
O cérebro em desenvolvimento: uma fase de alta plasticidade
Durante a infância e adolescência, o cérebro está em pleno desenvolvimento. Essa fase é marcada por intensa neuroplasticidade, ou seja, a capacidade que o cérebro tem de se reorganizar e criar novas conexões neurais com base nas experiências vividas.
É nesse contexto que a exposição às telas pode se tornar um risco quando mal administrada. O tempo excessivo diante de dispositivos digitais, especialmente com conteúdos rápidos e pouco interativos, temos por exemplo os shorts do youtube pode afetar diretamente a maturação de funções cognitivas essenciais, como:
Ø Atenção e concentração
Ø Memória de trabalho
Ø Linguagem oral e escrita
Ø Pensamento crítico e criativo
Ø Autocontrole emocional
Como neuropsicopedagoga, tenho observado um número crescente de crianças e adolescentes com dificuldades que muitas vezes estão associadas ao uso abusivo de telas.
Um aspecto que merece atenção especial é o fato de que muitos sintomas decorrentes do uso abusivo de telas podem se confundir com sinais clínicos de transtornos como:
Ø TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade)
Ø TEA (Transtorno do Espectro Autista)
Ø TOD (Transtorno Opositivo Desafiador)
Ø Transtornos de aprendizagem e linguagem
Sintomas como agitação, impulsividade, dificuldade de concentração, isolamento social, atraso na fala, irritabilidade e resistência à autoridade são frequentemente relatados por pais e professores e, muitas vezes, levados a profissionais de saúde como indicativos de alguma condição neurológica ou psiquiátrica.
O uso excessivo e desregulado de telas pode ser o principal fator por trás dessas manifestações, funcionando quase como um “falso transtorno”.
A tecnologia não é a vilã, mas o uso desregulado, sim
É importante ressaltar que a neuropsicopedagoga não demoniza a tecnologia. Pelo contrário, reconhecemos seu papel positivo quando utilizada com propósito educativo, de forma moderada e com supervisão. O problema está no uso excessivo, sem critério ou sem limites claros, que substitui atividades essenciais ao desenvolvimento integral da criança.
Recomendações da Neuropsicopedagogia
Com base na prática clínica e nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), deixo aqui algumas orientações importantes:
Ø 0 a 2 anos: evitar totalmente o uso de telas (exceto chamadas de vídeo com supervisão);
Ø 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia, sempre com acompanhamento;
Ø 6 a 12 anos: limite de 1 a 2 horas por dia, priorizando conteúdos educativos;
Ø Adolescentes: incentivar o uso consciente, com equilíbrio entre vida online e offline.
Além disso, é fundamental estimular:
Ø Brincadeiras ao ar livre e atividades físicas
Ø Interações sociais presenciais
Ø Leitura compartilhada
Ø Momentos de conversa em família
Ø Sono de qualidade e rotina estruturada
O uso das telas precisa ser consciente, mediado e equilibrado. Como neuropsicopedagogos, temos o papel de orientar famílias, escolas e a sociedade sobre os riscos do uso abusivo da tecnologia na infância e adolescência, e, ao mesmo tempo, mostrar caminhos para um uso saudável e educativo.
Cuidar do desenvolvimento neurológico, emocional e cognitivo das crianças é uma responsabilidade de todos nós.
Tem alguma dúvida? Procure o Centro de Atendimento aos Autistas de Itaperuna.




Belíssima explicação e orientação para os pais ficarem de olho nessa questão. Parabéns Taís Esposti pelo seu alerta.
As telas hoje tem sido uma opção como distração para as crianças,devido o dia a dia corrido com trabalho e outras tarefas dos pais,mas como falado no artigo a importância da moderação do uso e muito importante,pois o uso em excesso vai compromenter o comportamento,sistema cognitivo e emocional, já podemos ver no nosso dia a dia certas reações diferenciadas nas crianças que as vezes não entendemos,mas as consequências vão além disso, como também danos futuros, o esforço hoje na moderação da tela oferecendo outras distrações para as crianças vai ser essencial para um futuro com menos transtornos.
Muito bom