Inclusão em Pauta – Os direitos das pessoas com deficiência
- Fred Boechat

- 3 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

No Brasil, mais de 18 milhões de pessoas vivem com algum tipo de deficiência, segundo dados do IBGE. E nesta terça-feira, 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, a pauta da inclusão volta ao centro do debate — não apenas como celebração, mas como um chamado à responsabilidade pública e social.
Entre os avanços mais significativos na legislação brasileira está a Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A lei representou um marco ao reconhecer o autista como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, garantindo assim o acesso aos mesmos direitos constitucionais e às políticas públicas já previstas em outras legislações de proteção. (Continua após a publicidade).

Direitos assegurados e a luta por efetividade
A Lei Berenice Piana determina uma série de garantias fundamentais, entre elas:
Atendimento multiprofissional e acesso a serviços de saúde especializados;
Estímulo ao diagnóstico precoce e às intervenções terapêuticas contínuas;
Inclusão escolar plena, com apoio especializado sempre que necessário;
Direito a acompanhante em casos de comprovada necessidade, sem custos adicionais para a família;
Proteção contra qualquer forma de discriminação, negligência ou violência.
A legislação também reforça que nenhuma escola — pública ou privada — pode recusar matrícula de estudantes com deficiência, sob pena de sanções administrativas e legais. É uma diretriz que dialoga com a Lei Brasileira de Inclusão (Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei nº 13.146/2015), outra referência essencial para compreender o avanço do país na garantia de direitos.
Da teoria à prática: desafios persistem
Apesar do arcabouço legal robusto, especialistas e associações lembram que o principal desafio é transformar direitos em realidade. Famílias ainda enfrentam longas filas para diagnóstico, falta de profissionais qualificados na rede pública, dificuldades para conseguir transporte acessível e barreiras no mercado de trabalho.
Em municípios do interior, como os da região Noroeste Fluminense, a distância entre a lei e a prática tende a ser maior. O acesso a terapias especializadas, como Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Psicologia, muitas vezes depende de deslocamentos longos ou da contratação de serviços particulares — o que nem sempre é possível. (CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE)

Educação e conscientização: pilares da inclusão
Neste Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, entidades reforçam que a inclusão depende não apenas de políticas públicas, mas também de consciência coletiva. Entender que a pessoa com deficiência tem direito a participar de todos os espaços da sociedade — escola, trabalho, cultura, lazer — é o primeiro passo para quebrar preconceitos e promover acessibilidade real.
A inclusão, portanto, não é apenas um dever legal: é um compromisso ético. E, como lembra a própria ONU ao instituir a data, é também um indicador de desenvolvimento social.

Um caminho em construção
O Brasil avançou muito, especialmente com leis como a Berenice Piana e o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Mas o caminho da inclusão é contínuo e exige vigilância, participação social e investimentos que garantam dignidade, autonomia e oportunidades a todos.
Hoje, mais do que celebrar, é dia de reafirmar: direitos existem, e precisam ser cumpridos. A inclusão não espera — ela se constrói todos os dias, por todos nós.




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