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Diagnóstico de TEA transforma rotina das famílias e exige mais dos profissionais de saúde, aponta estudo

  • Foto do escritor: Auticast
    Auticast
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) de um filho é um dos momentos mais marcantes na vida de muitas famílias. Mais do que a confirmação de uma condição do neurodesenvolvimento, a notícia costuma desencadear sentimentos de medo, insegurança, tristeza e dúvidas sobre o futuro. É o que revela um estudo publicado na Revista Gaúcha de Enfermagem, que investigou o impacto do diagnóstico de autismo nas relações familiares e a forma como essa informação é comunicada pelos profissionais de saúde.


A pesquisa, realizada com dez familiares de crianças autistas atendidas em um serviço especializado, utilizou entrevistas semiestruturadas para compreender como o diagnóstico foi recebido e quais mudanças ocorreram na dinâmica familiar. Embora não tenha o objetivo de representar todas as famílias brasileiras, o estudo traz relatos que ajudam a compreender desafios frequentemente enfrentados após a confirmação do TEA.



Um dos principais achados é que o impacto inicial costuma ser semelhante ao processo de luto. Muitas mães entrevistadas relataram que a primeira reação foi a negação, acompanhada de tristeza e dificuldade em aceitar que o filho fosse autista. Em diversos depoimentos, as participantes afirmaram que, mesmo percebendo diferenças no desenvolvimento da criança, tinham esperança de que não houvesse uma condição permanente.


Outro fator que intensificou o sofrimento foi a falta de informação sobre o autismo. Segundo o estudo, muitas famílias receberam apenas a notícia do diagnóstico, sem explicações claras sobre o que era o TEA, quais seriam as possibilidades de tratamento e quais perspectivas existiam para o desenvolvimento da criança. Esse desconhecimento aumentou a sensação de medo e insegurança diante do futuro.



A demora para concluir o diagnóstico também apareceu como um elemento importante. Diversos entrevistados relataram que passaram anos buscando respostas para os sinais apresentados pelos filhos. Enquanto não havia uma definição, alimentavam a expectativa de que os comportamentos observados fossem passageiros. Quando a confirmação finalmente chegou, o impacto emocional foi ainda maior. O estudo destaca que o diagnóstico precoce é essencial para iniciar intervenções que favoreçam o desenvolvimento físico, cognitivo, social e da comunicação da criança.


Os pesquisadores também chamam atenção para a forma como o diagnóstico é comunicado. De acordo com os relatos, muitos profissionais utilizaram uma abordagem considerada excessivamente direta, rápida e pouco acolhedora. Algumas famílias disseram ter ouvido frases objetivas, como "seu filho é autista", sem uma conversa mais aprofundada ou espaço para perguntas. O estudo reforça que a comunicação de um diagnóstico deve ocorrer em ambiente reservado, com linguagem clara, respeitosa e adaptada ao nível de compreensão da família.



As repercussões não se limitaram ao momento da consulta. A pesquisa identificou mudanças importantes na convivência familiar. Enquanto algumas famílias relataram fortalecimento dos vínculos e maior união entre irmãos, outras enfrentaram preconceito e afastamento, principalmente por parte de alguns familiares paternos. O medo da discriminação social também apareceu como uma preocupação constante entre as mães entrevistadas, que temiam que seus filhos fossem rejeitados por parentes, vizinhos e pela sociedade.


Outro aspecto destacado foi a sobrecarga materna. Na maioria dos casos analisados, a mãe assumia praticamente sozinha os cuidados diários da criança, muitas vezes deixando o trabalho para dedicar-se integralmente ao filho. Embora avós e irmãos ajudassem ocasionalmente, a pesquisa mostra que a responsabilidade principal permanecia concentrada na figura materna, aumentando o risco de estresse, ansiedade, fadiga e comprometimento da saúde física e emocional dessas cuidadoras.


Os autores defendem que o atendimento à pessoa autista deve ir além do acompanhamento da criança. É fundamental que os profissionais de saúde ofereçam acolhimento, orientação e apoio contínuo às famílias desde o momento da revelação do diagnóstico. Uma comunicação humanizada, aliada ao esclarecimento sobre o TEA e às possibilidades de intervenção, pode facilitar o processo de aceitação e fortalecer o vínculo entre profissionais, pacientes e familiares.


Embora o estudo tenha sido publicado em 2016, suas conclusões continuam atuais. Nos últimos anos, o conhecimento sobre o autismo avançou significativamente, ampliando as possibilidades de diagnóstico precoce e intervenção baseada em evidências. Ainda assim, o trabalho reforça uma mensagem que permanece essencial: o diagnóstico não afeta apenas a criança, mas toda a família. Garantir informação de qualidade, acolhimento e suporte multiprofissional continua sendo um dos pilares para promover qualidade de vida, inclusão e desenvolvimento das pessoas autistas e de seus cuidadores.


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