Copa da Neurodiversidade: Quando Torcer Juntos Também é uma Forma de Inclusão
- Drª Mariana Ramos

- há 2 dias
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Eventos esportivos possuem uma capacidade única de unir pessoas. Durante uma partida de futebol, famílias se reúnem, amigos compartilham momentos de alegria, conversam, celebram conquistas e fortalecem vínculos afetivos. Mais do que um jogo, esses momentos representam oportunidades de convivência, pertencimento e construção de memórias afetivas.
Quando falamos sobre a Copa da Neurodiversidade, falamos justamente sobre isso: criar espaços onde todas as pessoas possam participar, torcer, vibrar e compartilhar experiências, respeitando as diferentes formas de perceber e interagir com o mundo.

Para muitas pessoas autistas, especialmente aquelas que apresentam alterações no processamento sensorial, ambientes excessivamente barulhentos podem ser fontes importantes de desconforto. Sons intensos, inesperados ou prolongados, como fogos de artifício, buzinas muito altas, apitos e caixas de som em volume elevado, podem provocar sofrimento significativo.
O que para algumas pessoas representa apenas uma demonstração de alegria, para uma pessoa autista pode significar dor física, medo, ansiedade intensa, sobrecarga sensorial e até mesmo crises emocionais. Isso acontece porque muitos indivíduos dentro do Transtorno do Espectro Autista apresentam maior sensibilidade aos estímulos auditivos, percebendo sons de forma muito mais intensa do que a maioria das pessoas.

Durante eventos esportivos, é comum observar comemorações acompanhadas por fogos de artifício e buzinaços. No entanto, é importante refletirmos sobre como pequenas mudanças em nosso comportamento podem tornar esses momentos mais inclusivos. Celebrar não precisa significar causar sofrimento para alguém.
A verdadeira inclusão acontece quando conseguimos conciliar a nossa alegria com o respeito às necessidades do outro. Por isso, algumas atitudes podem fazer toda a diferença:
Preferir comemorações sem fogos de artifício;
Evitar buzinas excessivamente altas e prolongadas;
Respeitar pessoas que precisem se afastar momentaneamente do ambiente;
Oferecer espaços mais tranquilos para aqueles que necessitam de pausas sensoriais;
Utilizar fones abafadores de ruído quando necessário;
Explicar às crianças e aos familiares a importância do respeito às diferenças.
Além dos aspectos sensoriais, os encontros familiares e sociais também representam oportunidades valiosas para o desenvolvimento de habilidades sociais. Assistir a um jogo juntos pode favorecer a comunicação, a troca de experiências, o compartilhamento de interesses e o fortalecimento dos vínculos afetivos. Para muitas pessoas autistas, esses momentos, quando realizados em ambientes acolhedores e previsíveis, podem ser extremamente positivos.

A Copa da Neurodiversidade nos convida a olhar para além do esporte. Ela nos lembra que inclusão não é fazer com que todos sejam iguais, mas garantir que cada pessoa possa participar sendo quem é. Torcer juntos é maravilhoso. Celebrar em família é importante. Compartilhar emoções fortalece os laços humanos. Mas tudo isso se torna ainda mais especial quando aprendemos a olhar para o outro com empatia.
Que possamos construir uma cultura em que a alegria de alguns não represente o sofrimento de outros. Que possamos vibrar pelas conquistas, pelos gols e pelos encontros, mas também pela capacidade de acolher, compreender e respeitar as diferenças.
Porque a maior vitória não acontece dentro de campo. Ela acontece quando todos podem participar do jogo da vida com dignidade, respeito e pertencimento.
Copa da Neurodiversidade: juntos na torcida, juntos na inclusão.
Por Mariana Fernandes Ramos dos Santos – Psicóloga e Neuropsicóloga




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