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A Importância de Intervenções Anticapacitistas na Promoção da Autonomia de Pessoas com TEA

  • Foto do escritor: Drª Mariana Ramos
    Drª Mariana Ramos
  • há 20 horas
  • 2 min de leitura

Durante muitos anos, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foram vistas socialmente a partir de suas limitações, dificuldades ou déficits. Esse olhar reducionista contribuiu para práticas capacitistas que, ainda hoje, excluem indivíduos neurodivergentes de espaços fundamentais de participação social, acadêmica e profissional. Nesse contexto, torna-se cada vez mais necessário desenvolver intervenções e estratégias verdadeiramente anticapacitistas, capazes de reconhecer potencialidades, promover autonomia e ampliar oportunidades reais de inclusão.



O capacitismo é uma forma de preconceito estrutural que desvaloriza pessoas com deficiência ou condições do neurodesenvolvimento, partindo da ideia equivocada de que existe apenas uma maneira “ideal” de funcionar, aprender, trabalhar ou se relacionar. Quando isso ocorre, a sociedade deixa de adaptar os ambientes e passa a responsabilizar exclusivamente o sujeito pelas dificuldades que enfrenta. Na prática clínica e social, combater o capacitismo significa compreender que inclusão não é caridade, mas direito.



Foi justamente a partir dessa perspectiva que ocorreu, no CAASSITA — Centro de Atendimento aos Autistas da Secretaria de Saúde de Itaperuna — o evento “Do Currículo ao Trabalho: Inserção Profissional de Pessoas com TEA”, uma ação idealizada pela Psicóloga e Neuropsicóloga Mariana Ramos, em parceria com a Coordenadora Priscila Verdan. O encontro reuniu adolescentes e adultos com TEA, juntamente com seus familiares, em um espaço voltado para reflexão, orientação prática e fortalecimento da autonomia funcional.



Mais do que um evento informativo, a proposta constituiu uma intervenção psicossocial de caráter anticapacitista. O objetivo foi ampliar possibilidades concretas de inserção profissional e social, valorizando habilidades, interesses e competências frequentemente invisibilizadas pela sociedade.


A participação do Professor Pablo Ramos trouxe contribuições fundamentais sobre elaboração de currículo, identificação de vagas compatíveis, preparação para entrevistas de emprego e adaptação ao ambiente profissional. Essas orientações ultrapassam a dimensão técnica do trabalho; elas promovem segurança, senso de pertencimento e fortalecimento da identidade pessoal e profissional.


Na Psicologia e na Neuropsicologia, compreendemos que o desenvolvimento humano acontece a partir da interação entre sujeito, ambiente e oportunidades. Dessa forma, muitos dos chamados “déficits” podem ser minimizados quando existem intervenções adequadas, suporte emocional, acessibilidade e experiências reais de participação social.



O trabalho possui um importante papel terapêutico e estruturante. Ele favorece desenvolvimento da autoestima, independência funcional, habilidades sociais, organização cognitiva e percepção de competência. Pessoas com TEA não precisam apenas de acolhimento; precisam de oportunidades legítimas para ocupar espaços, construir projetos de vida e exercer cidadania.


Ações como essa demonstram que práticas anticapacitistas não se resumem ao discurso inclusivo. Elas exigem transformação concreta dos contextos sociais, educacionais e profissionais. Exigem também profissionais comprometidos em enxergar além do diagnóstico, reconhecendo sujeitos em sua singularidade, potência e capacidade de desenvolvimento.



Segundo Mariana Ramos e a equipe do CAASSITA:

“Compreendemos que os desafios não são barreiras definitivas; eles podem e devem ser transformados em possibilidades de intervenção, crescimento e mudança. Acreditamos na ativação comportamental, no fortalecimento das habilidades, na construção da autonomia e na transformação social através de atitudes concretas.”


Construir uma sociedade mais inclusiva implica abandonar estigmas e compreender que capacidade não é algo fixo ou determinado exclusivamente por um diagnóstico. Capacidades podem ser desenvolvidas quando existem acesso, suporte, oportunidades e ambientes emocionalmente seguros.

Inclusão não é favor.

Inclusão é direito.

E autonomia se constrói quando a sociedade decide abrir espaços reais para que todos possam existir, participar e pertencer.


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