A dor da derrota: especialistas explicam por que a frustração pode ser mais intensa no autismo
- Auticast

- há 12 minutos
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A eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo deixou milhões de torcedores entristecidos em todo o país. Entre lágrimas, silêncio e desânimo, muitos brasileiros precisaram lidar com o sentimento de frustração provocado pelo fim do sonho do hexacampeonato. Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), entretanto, esse tipo de acontecimento pode representar um desafio emocional ainda maior, especialmente quando há dificuldades na regulação das emoções e na adaptação a resultados inesperados.
A paixão pelo futebol faz parte da rotina de inúmeras famílias brasileiras e, para muitas pessoas autistas, acompanhar os jogos pode se transformar em um ritual repleto de significado. A previsibilidade dos horários, o uso da camisa da seleção, as comemorações e a expectativa pela vitória criam uma sequência de acontecimentos que gera conforto e segurança. Quando esse roteiro é interrompido por uma derrota inesperada, o impacto emocional pode ser bastante intenso.

Especialistas explicam que uma parcela das pessoas com TEA apresenta menor tolerância à frustração devido a características como rigidez cognitiva, dificuldade em lidar com mudanças de planos e desafios na regulação emocional. Isso não significa falta de maturidade ou "exagero", mas uma forma diferente de processar acontecimentos negativos. Em alguns casos, a tristeza pode vir acompanhada de crises de choro, irritabilidade, isolamento ou até episódios de desregulação emocional.
É importante destacar que cada pessoa dentro do espectro é única. Enquanto alguns autistas conseguem lidar relativamente bem com uma derrota esportiva, outros podem sentir um sofrimento muito maior. O nível de suporte, a idade, as experiências anteriores, a compreensão sobre competições e o desenvolvimento das habilidades socioemocionais influenciam diretamente na maneira como cada indivíduo enfrenta situações frustrantes.

Nesse contexto, o papel da família torna-se essencial. Validar os sentimentos da criança, do adolescente ou do adulto autista, sem minimizar sua dor ou ridicularizar sua reação, contribui para que ela aprenda, aos poucos, a reconhecer e administrar as próprias emoções. Frases como "eu sei que você está triste" ou "é normal ficar decepcionado quando algo importante não acontece" costumam ser mais eficazes do que dizer simplesmente "isso não é nada".
Profissionais das áreas de Psicologia, Terapia Ocupacional e outras especialidades que acompanham pessoas autistas também ressaltam a importância de ensinar estratégias de enfrentamento. Exercícios de respiração, identificação das emoções, uso de recursos visuais, construção de histórias sociais e conversas sobre vitórias e derrotas ajudam a desenvolver maior flexibilidade emocional ao longo da vida. Essas habilidades não surgem de um dia para o outro, mas podem ser fortalecidas com apoio adequado.

A derrota da Seleção Brasileira pode parecer apenas mais um resultado esportivo, mas ela também serve como oportunidade para discutir saúde emocional, inclusão e respeito às diferentes formas de sentir. Em vez de julgar reações intensas, a sociedade pode aproveitar momentos como esse para compreender que pessoas neurodivergentes vivenciam emoções de maneiras diversas e, muitas vezes, necessitam de acolhimento em vez de críticas.
Embora a Copa do Mundo tenha chegado ao fim para o Brasil, permanece uma importante reflexão: aprender a lidar com a frustração é um processo contínuo para todas as pessoas, sejam elas neurotípicas ou neurodivergentes. Com informação, apoio familiar e intervenções baseadas em evidências científicas, é possível desenvolver recursos para enfrentar derrotas, mudanças e imprevistos, tornando experiências difíceis também oportunidades de crescimento emociona




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