Dia Internacional da Síndrome de Down: Conscientização e Inclusão Além da Data
- Fred Boechat

- 21 de mar. de 2025
- 2 min de leitura

No dia 21 de março, o mundo celebra o Dia Internacional da Síndrome de Down, uma data que vai muito além da simples lembrança no calendário. O objetivo é claro: promover a inclusão, combater o preconceito e garantir que pessoas com a trissomia do cromossomo 21 tenham os mesmos direitos e oportunidades que qualquer cidadão.
Como jornalista, pai atípico e tio de uma pessoa com Síndrome de Down, essa causa não é apenas uma pauta profissional, mas também uma vivência diária. A luta por um mundo mais acessível e acolhedor para crianças, jovens e adultos com Síndrome de Down começa dentro de casa, se estende para as escolas, os ambientes de trabalho e a sociedade como um todo.
Muito além do “anjinho”
Um dos grandes desafios na luta por inclusão está na forma como a sociedade enxerga as pessoas com Síndrome de Down. Ainda é comum ouvir termos como "anjinho" ou "especial", quase sempre acompanhados de uma visão romantizada que desumaniza essas pessoas. São indivíduos com personalidades, desejos, limitações e potencialidades como qualquer um de nós.

A inclusão de verdade não se faz com frases de efeito ou homenagens pontuais no dia 21 de março. Ela acontece quando garantimos educação de qualidade, acesso ao mercado de trabalho e respeito à autonomia dessas pessoas.
Educação inclusiva: realidade ou desafio?
O Brasil avançou em termos de legislação, garantindo o direito à educação inclusiva. No entanto, na prática, muitas famílias enfrentam dificuldades para matricular seus filhos em escolas regulares. Faltam profissionais capacitados, infraestrutura adequada e, principalmente, um olhar que veja o aluno com Síndrome de Down como alguém capaz de aprender e se desenvolver.

A inclusão não é um favor, é um direito. E cabe a todos nós – pais, educadores, gestores e sociedade – garantir que ele seja respeitado.
Mercado de trabalho: inclusão ou vitrine?

Muitas empresas já contratam pessoas com deficiência, incluindo aquelas com Síndrome de Down, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que essa inclusão seja genuína. Em muitos casos, as contratações acontecem apenas para cumprir cotas e as funções oferecidas são limitadas, sem possibilidade real de crescimento profissional.
É fundamental que as empresas enxerguem esses profissionais como parte do time, investindo em capacitação e abrindo portas para funções diversas.
O papel da sociedade na inclusão
A inclusão não é responsabilidade exclusiva das famílias ou das pessoas com deficiência. Todos nós temos um papel fundamental nesse processo. O simples ato de ensinar uma criança a conviver com as diferenças, de exigir acessibilidade nos espaços públicos ou de combater piadas capacitistas já faz uma grande diferença.

Como pai atípico, sei que a luta por um mundo mais inclusivo é diária. Como jornalista, tenho a missão de amplificar essas vozes e trazer à tona os desafios que ainda precisam ser superados.
No Dia Internacional da Síndrome de Down, celebramos a diversidade, mas também refletimos sobre o que ainda precisa mudar. Porque inclusão não se faz apenas no discurso, mas sim na prática, todos os dias do ano.
Por um mundo onde todas as diferenças sejam respeitadas – hoje e sempre.




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