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Dia Internacional da Superdotação chama atenção para talentos pouco reconhecidos

  • Foto do escritor: Auticast
    Auticast
  • há 19 minutos
  • 3 min de leitura

Nesta segunda-feira (10), é celebrado o Dia Internacional da Pessoa com Altas Habilidades ou Superdotação (AH/SD), uma data dedicada a ampliar a visibilidade sobre pessoas que apresentam potencial elevado em diferentes áreas do conhecimento e da expressão humana. A celebração foi instituída em 2011, durante um evento do World Council for Gifted and Talented Children (WCGTC), e desde então passou a ser utilizada para estimular debates sobre identificação, inclusão e desenvolvimento desses talentos. (continua após a publicidade)



No Brasil, o tema ganhou ainda mais relevância em 2026 com a criação da Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, instituída pela Lei nº 15.436, de 17 de junho. A legislação estabelece medidas para garantir identificação precoce, atendimento educacional especializado, desenvolvimento integral e inclusão desses estudantes no sistema educacional brasileiro. A norma também criou um Cadastro Nacional de Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação.


Mas, afinal, o que significa ter altas habilidades ou superdotação? De acordo com a definição adotada pela legislação brasileira, trata-se de uma condição do neurodesenvolvimento associada, entre outros fatores, a potencial intelectual elevado, intensa curiosidade, elevada capacidade de aprendizagem e profundo envolvimento com temas de interesse. Essas características podem vir acompanhadas de alta sensibilidade e intensidade emocional e se manifestar de diferentes maneiras ao longo do desenvolvimento. (continua após a publicidade).



Um dos principais desafios está justamente em compreender que superdotação não significa apenas tirar notas altas ou dominar conteúdos escolares. As altas habilidades podem aparecer em áreas como capacidade intelectual, desempenho acadêmico, criatividade, liderança, artes e psicomotricidade. Uma criança pode, por exemplo, apresentar uma habilidade excepcional para música, matemática, desenho ou resolução de problemas sem necessariamente apresentar desempenho acima da média em todas as disciplinas.


Entre os sinais que podem chamar a atenção estão a curiosidade intensa, a rapidez de raciocínio, memória diferenciada, facilidade para estabelecer relações entre ideias, criatividade, originalidade e grande envolvimento com determinados assuntos. Perguntas consideradas incomuns para a idade e uma busca constante por novos conhecimentos também podem aparecer. Entretanto, nenhum desses comportamentos, isoladamente, é suficiente para determinar que uma pessoa tenha altas habilidades ou superdotação. (Continua após a publicidade)


Outro ponto que merece atenção é o impacto da falta de identificação e de estímulos adequados. Quando uma criança apresenta capacidades que não são reconhecidas pela escola ou pela família, pode ocorrer desmotivação, tédio, dificuldades de relacionamento e problemas no processo de aprendizagem. Por isso, especialistas defendem uma abordagem que não se limite ao desempenho acadêmico, mas considere também os aspectos emocionais, sociais e as particularidades de cada indivíduo.


A nova legislação brasileira também reconhece a chamada dupla excepcionalidade, situação em que as altas habilidades ou superdotação coexistem com outra condição, como TEA, TDAH, dislexia, discalculia, transtornos motores ou deficiência. A previsão é especialmente importante porque mostra que uma pessoa pode apresentar grande potencial em determinadas áreas e, simultaneamente, enfrentar dificuldades significativas em outras. O atendimento educacional especializado deve, portanto, ser planejado de maneira individualizada.


Mais do que celebrar pessoas consideradas “brilhantes”, o 10 de agosto representa um convite para que sociedade, famílias e escolas aprendam a reconhecer diferentes formas de inteligência e potencial humano. Identificar uma alta habilidade não deve significar colocar sobre a criança a obrigação de ser excelente em tudo, mas oferecer condições para que ela desenvolva seus talentos sem deixar de ser compreendida em sua totalidade. Em 2026, com uma política nacional específica recém-criada, o Brasil dá um passo importante para transformar reconhecimento em inclusão — porque talento sem oportunidade também pode acabar sendo talento desperdiçado.


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