Autismo: por que algumas pessoas caminham de forma diferente?
- Auticast

- há 3 dias
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A marcha também pode revelar diferenças no desenvolvimento motor de pessoas autistas. Algumas caminham na ponta dos pés, viram os pés para dentro ou para fora. Outras apresentam alterações mais discretas, como passos mais lentos ou largos e maior variação na velocidade e no comprimento das passadas.
Essas características fazem parte de um conjunto mais amplo de diferenças motoras associado ao TEA (transtorno do espectro autista), que incluem problemas de equilíbrio, coordenação, estabilidade postural e caligrafia.
No entanto, nem toda pessoa autista apresenta alterações na marcha, e uma forma diferente de caminhar, isoladamente, não permite identificar o autismo. (Continua após a publicidade).

Por que isso acontece?
A explicação envolve o desenvolvimento e o funcionamento de diferentes regiões cerebrais, principalmente os gânglios basais e o cerebelo.
Os gânglios basais participam da sequência e da automatização dos movimentos, inclusive das mudanças de postura durante a caminhada. Já o cerebelo integra informações visuais e proprioceptivas, relacionadas à posição e ao movimento do corpo, ajudando a ajustar a coordenação e o equilíbrio.
No autismo, diferenças na estrutura, na atividade e nas conexões dessas regiões podem contribuir para alterações motoras. Elas não devem ser vistas apenas como um atraso no desenvolvimento. Pesquisas indicam sua persistência ao longo da vida, embora algumas características possam ficar mais evidentes com o passar dos anos.
A marcha também pode variar conforme as características individuais do autismo. (Continua após a publicidade).

Pessoas com maiores necessidades de apoio podem apresentar alterações motoras mais acentuadas, acompanhadas de diferenças cognitivas e de linguagem.
Em alguns casos, alterações nos movimentos também podem indicar sobrecarga sensorial ou cognitiva, funcionando como um sinal de necessidade de pausa ou apoio adicional.

É preciso tratar?
Nem toda diferença precisa de intervenção. A avaliação deve considerar principalmente o impacto sobre a vida cotidiana.
O acompanhamento pode ser útil quando a alteração aumenta o risco de quedas, dificulta a participação em atividades físicas ou provoca consequências físicas, como tensão nos músculos da panturrilha e do tendão de Aquiles ou dores nos pés e nas costas.
Para crianças, o desenvolvimento motor também pode ser estimulado fora do ambiente clínico. Atividades esportivas, dança e programas de movimento na escola oferecem oportunidades para aprimorar habilidades motoras ao lado dos colegas.
Essa abordagem também muda a perspectiva sobre a marcha. Em vez de tentar corrigir toda diferença de movimento, o objetivo é oferecer suporte quando ela limita a participação ou o bem-estar da pessoa. (Continua após a publicidade).

Movimento também é uma forma de inclusão
Ainda existem lacunas sobre os motivos da grande variação individual na marcha de pessoas autistas e sobre as melhores estratégias para acompanhar essas diferenças ao longo do desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, estudos indicam benefícios da atividade física para habilidades sociais e regulação do comportamento em crianças pequenas com autismo. Por isso, ampliar o acesso a esportes, dança e outras atividades comunitárias pode ajudar não apenas no desenvolvimento motor, mas também na participação social. Fonte: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2026/08/25/autismo-por-que-algumas-pessoas-caminham-de-forma-diferente.ghtm




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