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A Terapia Ocupacional no Transtorno de Processamento Sensorial em Crianças com TEA

  • Matheus Pereira Silva
  • 16 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por prejuízos na comunicação, interação social e comportamento. Dentro desse contexto, o Transtorno do Processamento Sensorial (TPS) tem se mostrado uma comorbidade recorrente, afetando diretamente o modo como a criança recebe, interpreta e responde aos estímulos do ambiente (Furtuoso & Mori, 2022).


Diversos estudos nacionais e internacionais apontam que as dificuldades sensoriais influenciam de forma significativa o comportamento, a aprendizagem e o desempenho funcional de crianças com TEA. (Continua após a publicidade).



De acordo com Bacaro e Mori (2020), a prevalência do TPS pode alcançar até 80% nessa população, manifestando-se tanto por hipersensibilidade (respostas exageradas a estímulos) quanto por hipossensibilidade (respostas reduzidas), interferindo em atividades cotidianas simples, como vestir-se, alimentar-se e interagir socialmente. Integração Sensorial e Organização do Comportamento Na Terapia Ocupacional tem papel central na regulação sensorial e na promoção da autonomia funcional.


Fundamentada na Teoria da Integração Sensorial de Ayres, a TO busca reorganizar a forma como o cérebro processa estímulos, permitindo que a criança responda de modo mais adaptativo ao ambiente (Oliveira & Souza, 2022).


As intervenções propostas incluem o uso de salas sensoriais e atividades lúdicas planejadas, como o uso de balanços, texturas variadas e circuitos motores, que ajudam a modular os sistemas tátil, vestibular e proprioceptivo.


Bezerra et al. (2023) ressaltam que o foco dessas intervenções não é apenas a exposição a estímulos, mas sim o desafio controlado, que promove a autorregulação e o aprendizado funcional. Estudos recentes reforçam que a melhora na organização sensorial está associada à redução de comportamentos repetitivos, melhora da comunicação e maior engajamento em interações sociais (De Sousa Reis et al., 2024).

Além disso, crianças que recebem acompanhamento ocupacional sensorial tendem a apresentar melhor desempenho escolar e maior tolerância a mudanças na rotina.


A Terapia Ocupacional e o Apoio às Famílias.


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A revisão da literatura também evidencia o papel educativo e de suporte emocional da TO para cuidadores. Silva (2024) observa que mães de crianças com TEA frequentemente vivenciam sobrecarga emocional diante das crises sensoriais. Nesse cenário, o terapeuta ocupacional atua orientando sobre estratégias domésticas e adaptações ambientais, permitindo que a família compreenda o comportamento da criança sob a ótica sensorial. Essa orientação contribui para diminuir o estresse familiar, fortalece o vínculo entre pais e filhos e amplia o protagonismo da família no processo terapêutico.


O suporte interdisciplinar, envolvendo áreas como Psicologia, Fonoaudiologia, Nutrição e Educação, também se mostra essencial para garantir uma intervenção mais abrangente e eficaz (Azevedo, 2023).


Atuação no Contexto Escolar

O ambiente escolar é um espaço de grande desafio para a criança com TPS. Bacaro e Mori (2020) destacam que a presença de múltiplos estímulos pode dificultar a concentração e a aprendizagem. Nesse sentido, o terapeuta ocupacional pode atuar identificando disfunções sensoriais e orientando educadores sobre práticas de manejo, como pausas sensoriais, uso de coletes de peso e criação de “cantinhos sensoriais”.


Essas estratégias favorecem a inclusão escolar e o engajamento nas atividades pedagógicas, além de beneficiar todo o ambiente educacional, promovendo uma cultura de respeito à diversidade sensorial.


Benefícios e Desafios

De modo geral, os estudos analisados apontam que a intervenção ocupacional com foco sensorial proporciona ganhos expressivos na autorregulação emocional, motricidade, comunicação e socialização (Aniceto & Bombarda, 2020; De Sousa Reis et al., 2024).


Entretanto, ainda há lacunas importantes, como a escassez de pesquisas longitudinais no Brasil e a necessidade de padronizar protocolos de atendimento voltados ao TPS. A literatura sugere também que futuras investigações devem considerar a percepção dos cuidadores e professores como indicadores de efetividade, ampliando o diálogo entre teoria e prática clínica.


Síntese da Revisão

A Terapia Ocupacional, fundamentada na Integração Sensorial, tem se mostrado uma das abordagens mais eficazes para o manejo do TPS em crianças com TEA. Sua atuação vai além da clínica, envolvendo famílias, escolas e equipes interdisciplinares, e contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento global e a inclusão social da criança. Contudo, o campo ainda demanda maior investimento em formação profissional, pesquisas nacionais e divulgação científica, a fim de consolidar a Terapia Ocupacional como pilar essencial na reabilitação e no cuidado integral ao neurodesenvolvimento infantil.


Tem alguma dúvida? Procure o Centro de Atendimento aos Autistas de Itaperuna.


Por Matheus Pereira Silva – Fonoaudiólogo, Acadêmico de Terapia Ocupacional, Terapeuta DIR/Flootime.


1 comentário

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Excelente trabalho!!!
16 de out. de 2025
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Excelente trabalho !!

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