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A Saúde Mental dos Pais e Familiares de Pessoas Atípicas: Um Cuidado Necessário

  • Foto do escritor: Drª Mariana Ramos
    Drª Mariana Ramos
  • 12 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Quando falamos em saúde mental, muitas vezes ainda a associamos, quase automaticamente, à ausência de sofrimento ou de problemas. Existe uma falsa ideia de que "ter saúde mental" é estar sempre bem, calmo, sereno e forte o tempo todo. Como se os desafios, as angústias e as dificuldades fossem um sinal de fraqueza.


Mas a vida real não funciona assim. E vocês, pais, mães, avós, irmãos e familiares de pessoas atípicas, sabem disso com muita profundidade.


A convivência com uma pessoa atípica — seja por um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, deficiência intelectual, transtornos de aprendizagem, síndromes genéticas ou outras condições do neurodesenvolvimento — não é uma trajetória sem desafios.


Pelo contrário: é um caminho permeado de incertezas, adaptação constante, reinvenção de rotinas, diálogos complexos com o sistema de saúde, com a escola, com o mundo.

E exatamente por isso, é importante lembrar:


👉 Saúde mental não é ausência de dificuldades.

👉 É a forma como lidamos com elas.


O peso invisível que muitas vezes carregamos

Quantas vezes, diante do cuidado diário, vocês já se pegaram:


Sentindo culpa por achar que poderiam ter feito mais?


Se cobrando por não conseguirem dar conta de tudo?


Se comparando com outras famílias?


Sentindo medo do futuro?


Carregando em silêncio o cansaço físico e emocional?


Tudo isso é natural. São emoções humanas. E são ainda mais intensas quando o amor que sentimos por quem cuidamos se mistura com o desejo de acertar o tempo todo.


Mas a verdade é que ninguém consegue dar o que não tem.

É por isso que precisamos, com muito carinho, falar sobre o seu cuidado. O seu espaço. O seu equilíbrio emocional.


Cuidar de si não é um luxo. É uma necessidade.

Quando falamos em autocuidado para familiares de pessoas atípicas, não estamos falando em algo distante ou egoísta. Estamos falando de manter:


Sua saúde emocional preservada.


Seu corpo sustentado.


Sua mente mais disponível.


Sua energia renovada.


Sua esperança alimentada.


É preciso aprender a reconhecer os próprios limites.

Nem sempre conseguiremos "dar conta de tudo" — e tudo bem.

O importante é conseguir pedir ajuda quando necessário, criar uma rede de apoio, dividir responsabilidades e, acima de tudo, permitir-se ser cuidado.


Cada pessoa atípica tem muito a nos ensinar sobre nós mesmos

Muitas vezes, enquanto nos esforçamos tanto para ensinar e cuidar, é a própria pessoa atípica que nos ensina lições profundas.


Nos ensinam a enxergar o mundo com novos olhos.


Nos ensinam sobre paciência, tolerância e empatia.


Nos ensinam que o desenvolvimento tem ritmos próprios.


Nos ensinam o valor das pequenas conquistas diárias.


Nos ensinam que o amor é sempre maior do que o diagnóstico.


No convívio com eles, somos desafiados a rever nossas expectativas, relativizar certezas e construir um novo olhar para o que realmente importa.


A sua jornada como pai, mãe, irmão, avô, avó ou cuidador é também uma jornada de autoconhecimento profundo.

Ali, enquanto cuida do outro, você aprende, sem perceber, a se escutar, se olhar e se conhecer.


A saúde mental da família também é parte da intervenção

Muitas vezes, quando falamos em "intervenção", pensamos apenas nas terapias da criança, adolescente ou adulto atípico. Mas o bem-estar familiar faz parte essencial desse processo.


Famílias cuidadas têm maior capacidade de adaptação.


Famílias emocionalmente amparadas conseguem lidar melhor com as frustrações naturais do percurso.


Famílias que conversam sobre suas emoções reduzem o risco de adoecimento psíquico.


Por isso, não tenha medo de:


Procurar apoio psicológico.


Participar de grupos de apoio.


Conversar com outras famílias.


Ter momentos individuais de prazer e lazer.


Estabelecer pausas no meio da rotina.


Você não precisa carregar tudo sozinho.


A vida não é ausência de dificuldades, é presença de recursos

A realidade é que os desafios continuarão existindo. A diferença está em como você os enfrenta.


Saúde mental é isso:


Ser capaz de sentir tristeza e buscar consolo.


Sentir medo e encontrar estratégias.


Sentir cansaço e saber descansar.


Sentir culpa e trabalhar o perdão.


Sentir ansiedade e aprender a respirar.


Não é nunca sofrer.

É sofrer, sim — mas sem se perder.

É continuar caminhando mesmo nos dias difíceis.


Palavras finais: você também merece cuidado

A caminhada com uma pessoa atípica pode ser cheia de amor, mas também exige de você uma força diária. E nessa força, não se esqueça:

Você também merece ser acolhido.


Cuidar de si não diminui o seu amor, pelo contrário:

é o que o fortalece.


Que possamos todos lembrar que o maior presente que podemos dar aos que amamos é nossa presença saudável.


Mariana Ramos

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